15/01/14

Comunicação do Presidente da CASA-CE, Abel Chivukuvuku



                                                             


Aos Excelentíssimos Senhores Vice – Presidentes e Conselheiros da CASA – CE.
Digníssimos Membros dos Órgãos de Direcção da CASA – CE.
Caros militantes e amigos da CASA – CE.
Distintos Senhores  Jornalistas.
Minhas Senhoras e Meus Senhores.
Povo Angolano.

Ao encetarmos a grande jornada deste ano novo de 2014, permitam-me saudar-vos fraternal e patrioticamente  e, desejar a todos os angolanos e a cada um dos presentes, um feliz ano novo, que almejo de paz, de fraternidade, de prosperidade e felicidade.
Que 2014 seja efectivamente um ano em que se realizam os sonhos de milhares de angolanos ou pelo menos, o decurso do ano transmita indicadores claros e convincentes de que em Angola pode haver espaço de realização para todos e que as portas não se fecham para aqueles que sonham e se dedicam afincadamente para verem os seus legítimos desígnios coroados de êxito.
Temos todos, também, o direito de acreditar e esperar que do nosso esforço colectivo, em 2014 manter-se-á brilhante no firmamento a luz da fé e da certeza de que 2014 nos aproxime  do destino almejado que é de PAZ Total; de Concórdia entre os Angolanos; de  Liberdade e Dignidade; e de Oportunidades Iguais e Justiça Social.
Este sonho colectivo terá de ser  produto do esforço colectivo e deverá assentar sobre uma avaliação e um diagnóstico realista e desapaixonado do que representou 2013 para o nosso País e para  os angolanos, para que as nossas expectativas, projecções e objectivos para 2014 encontrem esteio fértil para germinar este ano, crescer e fortificar em 2015 e 2016 e produzir fruto em 2017.
Posto isto, importa questionarmos como avaliamos o ano de 2013, enquanto direcção política da CASA – CE e também enquanto cidadãos.

                                                      I
Do ponto de vista da ESTABILIDADE e PREVISIBILIDADE
Em 2013, vivemos em Paz,  com a devida referência   ao persistente e endémico conflito de baixa tensão na província de Cabinda. 2013 também foi um ano em que cresceu o ambiente de preocupação, receio e ansiedade no íntimo de milhões de angolanos,  quanto ao futuro do País a curto ou médio prazos. Este clima de preocupação, receio e ansiedade foi gerado por três factores todos eles interligados.
Em primeiro lugar, derivou do facto de o actual titular do poder executivo, em 34 anos de exercício do poder, ter sido incapaz de permitir o fomento de instituições do Estado não só legitimas e legais, mas sobretudo credíveis e a desempenharem efectivamente o seu papel constitucionalmente consagrado. Em segundo lugar, importa referir que em 34 anos de exercício do poder de Estado, o titular do poder executivo mostrou-se indisponível perante a premente necessidade e inevitabilidade de serem estruturados convenientemente processos políticos credíveis e transparentes, ou modelos aceitáveis e legítimos conducentes a garantia de transições ou alternâncias democráticas de poder de forma pacífica, ordeira e responsável.
Por honestidade e realismo, importa também referir como terceiro factor, o facto de durante o ano de 2013 o titular do poder executivo ter tido ausências prolongadas do País, sem que os cidadãos tivessem merecido uma explicação honesta e verdadeira sobre a razão dessas ausências, permitindo assim o fomento de boatos que apenas reforçaram o clima de preocupação, receio e ansiedade.

                                                       II
           Do ponto de vista do SISTEMA POLÍTICO
Durante o ano de 2013, continuamos a viver sob um quadro constitucional e legal não perfeito mas com padrões aceitáveis para um Estado Democrático e de Direito. No entanto, todas as instituições da República, digo todas e sem excepção, embora algumas mais do que outras, revelaram-se sem convicções democráticas e sem vontade política  de assumirem na prática os valores e princípios de um verdadeiro Estado Democrático e de Direito.     
Assim, apenas para exemplificar esta asserção, sabemos todos que os angolanos nas distintas províncias do País não gozam plenamente dos seus direitos fundamentais básicos, tais como a liberdade ou o direito de opção política. É prática comprovada e constante por parte dos mecanismos do Estado, forçar ou coagir os cidadãos a obter o cartão do partido no poder.
É pública e diariamente notória, a vergonhosa prestação dos órgãos de comunicação social públicos, totalmente manipulados para servirem principalmente os interesses do partido no poder não cumprindo assim o seu papel social de informar de forma plural com verdade e isenção.
Em 2013, infelizmente, a administração pública não se despiu das suas características partidarizadas. Continuou o dilema dos concursos públicos para a função pública serem utilizados pelo regime como mecanismo para o recrutamento de membros e para a introdução na função pública de seus agentes.
Em 2013 o regime titubeou, hesitou e manipulou a opinião pública nacional quanto a sua verdadeira agenda em relação a institucionalização do poder local autárquico previsto pela constituição. Mais uma vez o regime não cumpre os pressupostos constitucionais e é incapaz de oferecer ao País certezas e previsibilidade. Se houvesse seriedade neste capítulo, o executivo deveria simplesmente catalogar as tarefas prévias a realização das eleições autárquicas e calendarizar as mesmas. Infelizmente, ninguém pode ser obrigado a ser sério.
Apesar de não ser um imperativo constitucional, o diálogo, faz parte dos pressupostos essenciais que caracterizam uma sociedade plural e democrática.  Em 2013 o regime  encenou um dialogo com a juventude, com participação cuidadosamente seleccionado  e um programa devidamente coreografado e que apenas serviu para expor a sua verdadeira natureza manipuladora.  Importa também  explicar a opinião pública nacional que em Maio de 2013, a direcção da CASA – CE solicitou um encontro ao Chefe do Estado Angolano, com o propósito de conjuntamente debater questões de grande interesse nacional. A essa solicitação de diálogo, o Chefe do Estado nem se dignou responder  em sinal de altivez e desprezo.
A nós, CASA – CE, não preocupa nem nos diminui a altivez e o desprezo do Chefe do Estado porque  somos a terceira força política do País. Por isso, estou aqui a anunciar que em 2014, voltaremos a carga e solicitaremos mais uma vez o diálogo, pois a CASA – CE considera que existem preocupações profundas relativas a necessidade e premência de uma REFORMA DO ESTADO ANGOLANO que devemos partilhar. Buscar o diálogo não é mais do que uma obrigação patriótica para todas as forças vivas da nação.  

                                                     III
Do ponto de vista da LEGALIDADE e FUNCIONALIDADE das instituições do Estado.       
1-    A Instituição Presidência da República, usando do respaldo da nova constituição hiper presidencialista e concentradora, e através de exercícios de interpretação casuística da constituição pelo Tribunal Constitucional, continuou em 2013 a subordinar todos os restantes órgãos da República, muitas vezes desrespeitando a mesma  constituição.  De referir que esse quadro só foi possível porque as restantes instituições do Estado adoptaram uma postura de subserviência e subordinação voluntárias ao Poder Presidencial, resultante da disciplina partidária no contexto de um partido internamente pouco democrático.

2-    A Assembleia Nacional, instituição essencialmente vocacionada para a feitura e aprovação das leis da República, tem sido um dos órgãos que deliberada e conscientemente  mais viola as leis e desrespeita os seus próprios instrumentos reguladores. Na Assembleia Nacional impera o princípio da interpretação casuística das leis em função do interesse pontual do partido no poder. Num claro indicador de subserviência e subordinação voluntárias, a Assembleia Nacional abdicou de um dos pilares fundamentais das suas prerrogativas que é a fiscalização da acção do executivo.

3-    O Conselho da República foi abolido pelo Presidente da República de forma sorrateira, deliberada e intencional. Na decorrência do pleito eleitoral de Agosto de 2012, o Presidente da República exarou o Decreto Presidencial  nº 10 /13 de 1 de Fevereiro de 2013 que indicava os titulares ao Conselho da República.  O mesmo Decreto foi anulado 90 dias depois pelo Decreto Presidencial nº 183/ 10  de 25 de Agosto de 2010, em função da não realização da tomada de posse dos titulares do cargo.

4-    A Comissão Nacional Eleitoral é hoje uma instituição inconstitucional e ilegal, tendo no seu seio representantes de partidos já extintos pelo Tribunal Constitucional, enquanto forças políticas representadas na Assembleia Nacional, como é o caso concreto da CASA – CE, tem sido impedida pelo Presidente da Assembleia Nacional de ocupar os seus legítimos lugares.  No que diz respeito a Comissão Nacional Eleitoral, não estão respeitados os princípios constitucionais da proporcionalidade e representatividade, tudo isso apenas para barrar o acesso legitimo da CASA – CE aos distintos órgãos da República.

5-    O Poder Judicial  continuou em 2013 hesitante, incoerente e sobretudo condicionado pelo poder executivo.  O Poder Judicial não tem assumido de forma efectiva o seu papel constitucional de órgão independente e exclusivamente vocacionado  para a defesa da legalidade e administração da justiça. Mais uma vez regista-se  declaradamente uma postura de subserviência  e subordinação voluntarias para com o poder executivo.

6-    O Tribunal de Contas praticamente demitiu-se  do seu papel controlador da utilização dos recursos públicos, apesar   das contínuas notícias e alegações  de má gestão e  desvio do erário público por parte de detentores de funções governativas.

7-    Os órgãos de Ordem Pública e de Segurança do Estado, órgãos normalmente vocacionados para a garantia da ordem e da tranquilidade públicas e da defesa da vida dos cidadãos, assumiram-se em 2013 como órgãos de terror, ameaçando cidadãos, violando as leis, ao ponto de assassinarem cidadãos como foram os casos de Alves Kamulingue, Isaias Kassule e Hilbert Ganga. Neste caso, cabe-nos referir o grande valor e a importância do pronunciamento do Presidente da República que reconheceu o crime cometido pelo seu aparelho de segurança  e  reafirmou  a inviolabilidade da vida. Importa também não permitir a continuidade da impunidade,  sendo assim crucial que  justiça seja feita.

Não podia deixar de repudiar as declarações levianas , irresponsáveis e quase criminosas, de altos responsáveis  da Policia Nacional que alegaram terem conhecimento da existência de planos de golpe de Estado por parte de cidadãos desarmados sem que isso fosse provado, bem a moda do infeliz caso Miala. Num Estado sério este tipo de pronunciamentos públicos por parte de altas figuras do aparelho de Estado ou são provados ou os seus autores são  responsabilizados por incitamento e intenção de criação de um clima de pânico.






                                                IV
Do ponto de vista da qualidade da GOVERNAÇÃO

Durante o ano de 2013, continuou a verificar-se alguma melhoria no campo da  elaboração teórica dos instrumentos de planificação governativa. Também foi notória a procura de institucionalização de mecanismos reguladores com alguma modernidade. No entanto continuou também e ainda, a verificar-se uma fraca capacidade institucional  de implementação e execução  das acções e dos programas  aprovados, particularmente no que toca aos programas de investimento públicos. Existe um fraco acompanhamento o que tem permitido  o não  respeito dos prazos e resulta na má qualidade dos projectos executados.
O caso do que ocorreu com o hospital geral de Luanda, disso é exemplo vivo. A inviabilização da acção fiscalizadora da Assembleia Nacional agravou este estado de coisas. Continuou a promiscuidade entre o que é publico e o que é privado por parte dos governantes, para tal encorajados pela teoria perniciosa  sobre a forma de acumulação primitiva de capital, assumida pelo Presidente da República aos 15 de Outubro de 2013. Má gestão, corrupção endémica e impunidade estão na ordem do dia. Nepotismo e compadrio são  práticas quotidianas.
Os poderes públicos aos mais altos níveis perderam definitivamente a autoridade moral para corrigir este estado de coisas pois essa autoridade deriva do exemplo.


                                             V
           Do ponto de vista ECONÓMICO

No domínio económico, continuou o ciclo de crescimento económico, embora em taxas mais moderadas, comparativamente aos anos transactos.
As medidas de gestão macro económicas permitiram até aqui a manutenção controlada dos indicadores de politica monetária.  Manteve-se em 2013 o peso excessivo do sector petrolífero  no produto interno bruto. Não foi verdadeiramente dinamizada a produção extractiva massiva de outros recursos minerais tão abundantes no País.   
Os esforços de diversificação da economia dão passos tímidos e ainda continuam negligenciáveis. No sector industrial o investimento privado ainda é muito fraco em decorrência do ambiente de negócios ainda ser negativo, para além dos altos custos de produção. Em resposta o executivo optou pelo investimento público no sector industrial por via da omnipresente empresa pública Sonangol, sem mecanismos de garantia quanto a viabilidade económica desses investimentos.
No sector primário agrícola, o País continua a depender excessivamente das importações de bens básicos de consumo. Não existe estratégia para com a  produção  agrícola familiar que ocupa grande parte da população rural. Os recentes esforços para a criação de mecanismos para fomentar a comercialização e distribuição de bens agrícolas ainda não demonstrou a sua eficácia. A segurança alimentar nacional por via da produção interna é uma miragem.

Não haverá turismo de recreio massivo, enquanto os custos de vida nas grandes cidades do País forem altos como são, para alem do crónico entrave burocrático de outorga de vistos para Angola. Fica assim o sector do turismo restringido ao turismo de negócios ou turismo interno.

 O empresariado nacional foi bastante afectado nos últimos três anos pela inobservância de pagamentos por parte do Estado, para além do crónico condicionamento político a que são submetidos. Os verdadeiros empresários sofrem a concorrência desleal e desigual por parte dos muitos governantes/empresários.

                                               VI
              Do ponto de vista SOCIAL

No domínio social, a pobreza urbana e rural continuou a ser em 2013, a característica principal  da estrutura social e da vida dos angolanos, afectando mais de metade da população, contrariamente aos dados publicados pelo executivo.
Um factor positivo no domínio social diz respeito ao surgimento embora ainda muito ténue de um pequeno mas crescente segmento de classe média, decorrente fundamentalmente de factores tais como o ligeiro aumento dos salários da função pública; da valorização e reconhecimento da importância das profissões liberais assim como  da visível transformação de pequenos agentes do comércio informal em importadores informais.

Ao nível da prestação de serviços básicos as populações, um dos sectores mais débeis trata-se do aprovisionamento de água e energia. Os investimentos na produção de energia não têm correspondido ao crescimento da demanda forçando os cidadãos e empresas a criação de alternativas resultando numa duplicação de dispêndio  de recursos.
Os sistemas de distribuição também  são ineficientes.  A opção do governo para a instalação de fontenários e chafarizes tanto no meio peri – urbano como em algumas localidades do meio rural em pleno século XXI, é  um indicador  da incapacidade do executivo em fornecer estes serviços de forma regular.

As debilidades do sector da saúde pública são imensas, apesar dos investimentos efectuados na construção de novas unidades hospitalares. Os serviços médicos prestados pelo serviço público são fracos com crónica carência de medicamentos.
No interior do País é notória a ausência de quadros técnicos superiores de saúde, levando o Estado em alguns casos a ver-se obrigado a fazer recurso a técnicos estrangeiros, resultando em problemas de comunicação, particularmente nos casos de técnicos Vietnamitas ou Russos.   

O sector da educação apresenta debilidades similares as do sector da saúde, embora com maior impacto no futuro do País. Apesar dos investimentos públicos efectuados neste sector, o País ainda tem centenas de milhares de crianças fora do sistema de ensino, subvertendo assim o princípio constitucional de igualdade entre todos os cidadãos.
O ensino de base não  equipa as crianças com os conhecimentos básicos necessários, o que consequentemente afecta a qualidade do ensino nos níveis subsequentes.
Apesar de ter havido um aumento relativo do nível dos salários da classe docente, este aumento  ainda não da resposta cabal aos imperativos de uma vida digna, tendo em conta o alto custo de vida no País. São exíguos os programas de superação didáctica para a classe docente, condições de trabalho não adequadas, o que, no seu conjunto, não dignifica a classe docente.
No interior do País, constata-se um grande défice de professores e em muitos casos, os candidatos a professores mesmo depois de apurados em concursos públicos e colocados nos seus locais de trabalho,  desistem em curto espaço de tempo devido as precárias condições de vida e de trabalho em muitas destas localidades, mas também, ou sobretudo, devido a inexistência de uma política geral  de incentivos.
Seria desejável que o governo adoptasse uma estratégia de DESCRIMINAÇÃO GEOGRAFICA POSITIVA, que oferecesse incentivos  aos membros da função pública estabelecendo diferentes zonas salariais, com base na sua localização geográfica.
Considero importante reconhecer o crescimento da oferta nos vários estabelecimentos públicos do ensino superior, embora essa oferta ainda continuar muito aquém da demanda.
Considero que  algumas províncias com população superior a um milhão de habitantes, tais como as províncias do Bié, Malange e Kuanza – Sul, deveriam ser contempladas a curto prazo  com universidades públicas próprias.
O mesmo devia ser aplicado a província de Cabinda tendo em consideração a sua insularidade.
A médio prazo, o executivo devia estabelecer como meta,  a criação de uma universidade pública em cada província do País, e assim corresponder as necessidades crescentes de recursos humanos de qualidade e também garantir justiça e equilíbrios entre as províncias.
É patente, o grande desajuste entre o tipo de cursos disponibilizados, maioritariamente no campo das ciências humanas e sociais, em contramão com as necessidades do mercado de emprego em tempo de reconstrução nacional, que se situam no campo científico - técnico. É urgente uma reorientação de prioridades neste sector.

De realçar que o executivo não tem dado a devida atenção e relevância quanto ao papel de alguns parceiros sociais do Estado, tais como a Igreja Católica e algumas Igrejas Protestantes na sua acção social nos domínios da saúde e da educação. O executivo devia ponderar quanto a possibilidade de ser atribuído um estatuto de Unidades Orçamentais  Parciais no Orçamento Geral do Estado para  os empreendimentos escolares e de saúde destas entidades e que sejam de mérito comprovado.  

Os Problemas de falta de emprego  são um dos grandes dilemas dos cidadãos,  que afecta particularmente a camada juvenil. No interior do País, as oportunidades de emprego quase que restringem-se aos sectores públicos da  educação e saúde. Em alguns centros urbanos, as medidas do executivo de luta contra o comércio informal, pelas chamadas Zungueiras e vendedores ambulantes, tende a tornar dramáticos os problemas sociais e de falta de emprego para este segmento da população.

No domínio da habitação, o executivo optou    pela construção de novas centralidades em algumas localidades do País. Essa opção ajudou a debelar a grande carência no segmento da classe média, embora o problema persista com alguma gravidade. A construção de duzentos fogos em cada município, representou apenas um paliativo sem expressão na realidade da vida nos municípios. O segmento mais pobre da população foi preterido e não se vislumbram estratégias coerentes para este segmento muito mais vulnerável.

Constata-se também, a desistência por parte do executivo, quanto as necessidades de requalificação e urbanização dos  bairros peri urbanos caóticos. Simultaneamente a essa desistência, o executivo revela total incapacidade para conter  o crescimento desordenado nos espaços virgens na periferia da maioria das cidades do País.
Em vez de prever e antecipar-se, urbanizando as zonas virgens, o executivo tem optado por deixar andar e tentar corrigir posteriormente por via de demolições violentas, com todas as consequências negativas   para a vida das populações afectadas.   

Durante o ano de 2013, continuou insolúvel o drama dos ex- militares,  incluindo soldados, sargentos e oficiais, que não viram concluídos os seus processos de passagem a reforma e consequente  acesso aos subsídios a que têm direito, 11 anos apôs o fim do conflito militar. As várias promessas feitas   pelo executivo não passaram disso mesmo. Apelo directamente ao Chefe do Estado, na sua qualidade de ex – militar e de Comandante em Chefe, para assumir pessoalmente a resolução deste problema para que  termine a injustiça contra estes concidadãos que ao longo de muitos anos tudo deram por Angola incluindo as suas vidas.     


                                           VII

Do ponto de vista do PAPEL E IMAGEM DE ANGOLA EM ÁFRICA E NO MUNDO.

O contínuo crescimento económico de Angola na última década tem proporcionado ao País visibilidade e atenção na arena internacional. Em África, durante vários anos o País desenvolveu uma estratégia baseada no intervencionismo militar, como veículo de  afirmação regional. Os recentes desaires  sofridos na República da Costa do Marfim e na República da Guine Bissau, levaram a uma considerável retracção e consequente reavaliação da viabilidade dessa estratégia.

Presentemente, apesar de Angola ser a todos os títulos a potência regional na África Central, verifica-se um cuidadoso alheamento em relação ao drama da República Centro Africana, onde outros actores regionais menores têm desempenhado um papel mais relevante no contexto da intervenção francesa. 
Na região austral de África, Angola tem sido um actor hesitante relativamente as grandes questões regionais tais como a livre circulação de pessoas e bens.
No mundo,  Angola é vista como um espaço fértil para negócios,  embora não se atribui ao País concomitante papel de relevo na dimensão política internacional, em grande parte devido as suas fracas credenciais democráticas, a imagem de falta de transparência, a insensibilidade para com a pobreza e constantes abusos dos direitos humanos.

Para que Angola tenha um papel relevante condizente com o seu peso estrutural, Angola precisa  de arrumar a casa nos domínios da democracia, da boa governação e da justiça social, o que daria ao País credenciais positivas com efeito directo na sua imagem e em consequência no seu papel no mundo.


Meus Companheiros, Caros Compatriotas.

São vários os outros domínios que mereceriam destaque neste resumido diagnóstico sobre o estado da Nação em 2013. Em 2013, os angolanos viveram num misto de esperança e frustração face as grandes promessas eleitorais do partido maioritário que aos poucos se foi constatando que mais uma vez não serão cumpridas.
As promessas eleitorais do regime foram simplesmente anúncios teóricos bombásticos, perante a incapacidade comprovada e falta de vontade de cumprir as promessas feitas. Uma clara demonstração deste estado de coisas, está espelhada na grande dicotomia entre o número de projectos de investimento público aprovados em cada orçamento geral do Estado e o número daqueles que são efectivamente executados.
A inexistência de mecanismos eficazes de fiscalização dos níveis e qualidade de execução dos projectos de investimento público, leva o governo a negligência.

Minhas senhoras , Meus Senhores.

Terminado este resumido diagnóstico, vou passar para a segunda parte  desta mensagem, lançando um  desafio e um apelo honestos e patrióticos as autoridades actuais e a toda a sociedade, para todos juntos fazermos de 2014 um ano de viragem quanto ao nosso comprometimento para a busca e  fomento do bem estar dos angolanos.

Gostaria de iniciar os meus apelos  abordando a temática relacionada com as questões gerais de estabilidade e previsibilidade quanto ao futuro da Nação.

1-    Em todas as sociedades e em todos os tempos, a excessiva longevidade de um único actor político nas rédeas de um País, revelou-se sempre negativa e contraproducente.
Pois, bloqueia as transformações e evolução da sociedade; enquista e não cria um ambiente político conducente a realização de transições ou alternâncias democráticas de forma pacífica, ordeira e responsável. Ecoa ainda hoje como alerta, a afirmação do monarca  Francês Luis  XIV-   e cito “ aprês moi le deluge”.
No nosso País, o actual detentor do poder executivo, exerce esse cargo há 34 anos consecutivos. Como o próprio honestamente  reconheceu em  recente entrevista a televisão Portuguesa SIC,   34 anos era demais. Afinal se 34 anos são  demais, urge para o bem do País e do próprio Presidente da República que a partir deste ano de 2014 até 2017, se dedique também, a criação de condições positivas para a sua retirada do poder em 2017 por via de uma transição interna ou por via de uma alternância eleitoral.
Sinceramente,  acredito que não há razões para recear uma tomada de posição desta natureza.
O País e todas as forças vivas da nação saberão reconhecer o papel por ele desempenhado nestes 34 anos. Valorizar  e reconhecer as realizações positivas, não  esquecendo que em 1979 o actual Presidente herdou um País em guerra e um regime político de partido único, totalitário e brutal.
Se for seu desejo retirar-se em 2017, tal como o senso comum aconselha, o Presidente legará aos angolanos um País em paz e em  transição para a democracia, condições essenciais para a continuidade  da obra de reconstrução nacional por ele iniciada.

O passado com tudo o que ele teve de bom ou de mau, por ninguém pode ser alterado.
O desafio do nosso tempo e das gerações presentes, é construirmos  juntos um futuro de paz, harmonia, liberdade, igualdade e justiça social.
Por isso, não podemos sacrificar o futuro por causa do passado. 
Digo isto porque ao longo deste percurso de 34 anos, e tendo como base a natureza humana, houve também  falhas e erros cometidos. Humanamente não poderia ser o contrário. Bem reza o ditado popular que só não erra quem não trabalha.
Assim, acredito firmemente que o País e as forças vivas da nação terão suficiente  sabedoria  para relevar todas as falhas e todos os erros cometidos no âmbito da governação.
É do interesse fundamental  de Angola e de todos os angolanos saberem garantir aos seus lideres segurança, tranquilidade, respeito e dignidade, uma vez terminada a sua missão.
Só assim construiremos um País digno e estarão salvaguardadas as condições objectivas e subjectivas para a continuidade da construção do País. Sinceramente,  desejo que a partir deste ano de 2014, DEUS ilumine todos aqueles sobre quem recai o dever de tomar decisões, por mais difíceis elas possam superficialmente parecer.

2-    Nós CASA – CE, entendemos que neste período que inicia neste ano de 2014 e nos levará as eleições gerais de 2017, deveríamos todos – executivo; partidos políticos; sociedade civil; igrejas e outros actores políticos e sociais – trabalharmos no sentido de evoluirmos para termos processos políticos credíveis e instituições do Estado, cujo funcionamento esteja baseado na lei, em harmonia com as outras instituições e respeitando o princípio da separação de poderes.
A qualidade dos processos políticos de cada País é directamente proporcional a qualidade e profundidade da participação dos seus cidadãos nesses processos.
Por isso, temos todos o dever de participar.  
Cada instituição da República deve desempenhar efectivamente o seu papel definido pela constituição.
A Assembleia Nacional deve começar em 2014 a respeitar a lei,  os seus próprios regulamentos e desempenhar o seu papel constitucional e em consequência nós vamos contribuir.
A Comissão Nacional Eleitoral deve ser regularizada em 2014, e em consequência, nós todos vamos contribuir.  Ela deve ser reformulada, para que seja efectivamente uma Comissão Nacional Eleitoral independente e autónoma.
O Conselho da República deve ser instituído e em consequência, nós todos vamos contribuir. 
O Poder  judicial seja em 2014 efectivamente independente e em consequência  nós todos vamos contribuir.
A partir de 2014, os orgãos de comunicação social  públicos têm que deixar definitivamente a cultura e postura partidarizada e de manipulação. Devem passar a ser efectivamente, órgãos plurais, isentos e de verdade e consequentemente, nós todos vamos contribuir.
Sim, contribuir;
Mas e sempre, no contexto da diferença e da diversidade próprios de um sistema plural.
Estes e outros, são os desafios institucionais para os quais deveremos estar preparados a partir deste ano e estarmos a altura das exigências. Porém, queremos deixar bem claro, que por imperativos de consciência e patriotismo, não poderemos colaborar com instituições do Estado, que em nome da defesa do interesse de um partido, violam constantemente a constituição e as leis e não servem o bem público.

3-     Considero ser do interesse primário do poder executivo desenvolver a sua acção de forma positiva, transparente e eficaz com o propósito de servir o País, ganhar a confiança do cidadão e criar legado. Também é do interesse de todos os angolanos que o executivo dê conta do recado, porque a evolução positiva e o progresso são benéficos para todos.
Assim, queremos também lançar um apelo patriótico para que os governantes considerem-se meros gestores temporários, dos recursos de todos os angolanos, em nome dos angolanos, mas para benefício de todos os angolanos.
Já é tempo de parar com o enriquecimento ilícito dos governantes. 
É tempo de deixar de fazer uma gestão danosa dos recursos públicos.
É  tempo de optar pela honestidade,  competência e sensibilidade para com os pobres que são a maioria da nossa população.

Nós, CASA – CE, na qualidade de força política alternativa, estaremos atentos para alertar, sugerir mas sobretudo denunciar todas as práticas lesivas ao bem público.
Nós, CASA – CE, estamos também preparados para reconhecer e aplaudir sempre que se registarem actos e posturas que mereçam a nossa aprovação.

4-    Não podia terminar esta mensagem, sem lançar um apelo patriótico as Forças Armadas Angolanas, a Polícia Nacional e aos Orgãos de Segurança do Estado.
A  Constituição determina que estes órgãos cruciais a vida de cada nação, têm de ser republicanos e apartidários.
Esperamos, que neste período de 2014 a 2017, a postura republicana seja uma divisa inquestionável. Pois, a constituição  atribui aos órgãos acima descritos, a defesa da Pátria; a garantia da ordem pública e tranquilidade e a protecção de todos os cidadãos independentemente das suas opções partidárias.
Esperamos que nos órgãos citados, cresça durante o período 2014 / 2017  o entendimento e acatamento destes pressupostos e terminem definitivamente os abusos de poder, os abusos dos direitos humanos  e o excessivo e gratuito uso da força contra os cidadãos, pois estes são actos contrários ao seu papel na sociedade.
Acima de tudo, os militares, os policias e os agentes da segurança do Estado, são pessoas humanas e cidadãos que devem servir outras pessoas humanas e  seus concidadãos.

Para terminar, quero deixar bem claro e sem equívocos, que quanto a nós,  CASA – CE, seremos neste período 2014 / 2017, uma força política presente, dinâmica, inovadora e responsável.
Internamente cumpriremos a nossa agenda estratégica 2013 / 2016 aprovada pelo I Congresso Extraordinário, consubstanciada nos processos de crescimento,  transformação,  consolidação e afirmação.
Em 2017 estaremos a altura de corresponder a expectativa legítima dos angolanos.

Nós CASA – CE somos a força predilecta da  Juventude e a Juventude é o futuro da Nação.
Exorto a todos os jovens angolanos a engajarem-se activamente na vida política nacional.
Devem  participar com coragem, criatividade e espírito de exigência, seguindo a exortação do Papa Francisco para a juventude, aquando das Jornadas  Mundiais da Juventude, realizadas na cidade do Rio de Janeiro em Julho de 2013.
A juventude angolana pode contar com a direcção da CASA – CE para o nobre objectivo de construirmos um País fértil e justo para todos.

Em Meu nome próprio e em nome da Direcção da CASA – CE, desejo a todos os angolanos um ano novo próspero,  de paz e felicidade.

Que DEUS Pai abençoe o nosso País – ANGOLA.

Luanda, aos 14 de Janeiro de 2014

Abel Epalanga Chivukuvuku
Presidente da CASA – CE
      

        
     
                                            
      

     
                                            

13/01/14

Cumprimentos de Ano Novo, terça-feira 14


                                        
                                      Nota de Imprensa
Informa-se que o Presidente da CASA-CE Abel Chivukuvuku, receberá cumprimentos de ano novo de simpatizantes, amigos e membros da direcção da coligação, no dia 14 de Janeiro, acto a ter lugar pelas 14:30 minutos na piscina do hotel Alvalade.
Somos por esteve motivo a solicitar1 a cobertura do referido evento, pelo que agradecemos a Vossa melhor atenção.
                                                       Luanda, 12 de Janeiro de 2014

                                               O GABINETE  DA PRESIDÊNCIA


1 Para quaisquer informações requeridas, queira contactar-nos através dos seguintes telefones: 936 00 00 61/923 21 85 56

20/12/13

Human Rights Foundation Slams Mariah Carey for Angola Concert

Human Rights Foundation Slams Mariah Carey for Angola Concert: ABCNEWS.COM - Pop singer causes stir by performing for "corrupt" Angolan President Jose Eduardo Dos Santos.

Mariah Carey recebeu US $1 Milhão


Cantar para um ditador em Angola

Por Tara Palmeri
19 dez 2013 | 13:08
Modal Gatilho

Tudo o que ela queria para o Natal é mais dinheiro de um ditador.
Curvy diva Mariah Carey cantou para o déspota José Eduardo dos Santos e sua família no domingo recebendo mais de  US $ 1 milhão, tudo isso acontece  depois de se desculpar em 2008 por ter cantado para a família de Muammar Kadafi , de acordo com a Fundação de Direitos Humanos .

" Mariah Carey não conseguiu ter suficiente dinheiro do ditador", disse o presidente da Fundação de Direitos Humanos Thor Halvorssen , em comunicado. " Apenas cinco anos atrás apresentou-se para a família do ditador líbio Muamar Kadafi . Agora, ela vai de exibições privadas a públicas de apoio e credibilidade de um dos principais violadores dos direitos humanos da África e tiranos mais corruptos " .

A cantora fez duas apresentações. Ela fez um show público ao vivo no estádio dos Coqueiros , em Luanda , que foi patrocinado pela Unitel , empresa de telefonia móvel de propriedade da filha dos Santos , Isabel. Carey também realizou um outro espectáculo de duas horas,  uma gala de beneficência a favor da Cruz Vermelha de Angola , que Isabel dirige . A gala contou com a presença de Dos Santos e sua esposa para quem Carey disse-se honrada por cantar para ele.

 " É o triste espectáculo de uma artista internacional comprada por um estado policial implacável para entreter e branquear a cleptocracia pai e filha que acumulou bilhões de dólares em riqueza ilícita , enquanto a maioria de Angola vive com menos de US $ 2 por dia", disse Halvorssen .
Carey posou para uma foto com o ditador Africano , sua filha e sua esposa. "Estou feliz por estar aqui nesta sala e estou honrada de compartilhar esse show com o Presidente de Angola ", disse Carey na gala , de acordo com a Fundação de Direitos Humanos , uma organização sem fins lucrativos que se concentra na proteção e promoção dos direitos humanos a nível mundial.
O Dos Santos são os únicos bilionários em Angola e já reinou desde 1979. Dos Santos ordenou a execução de muitos políticos, jornalistas e ativistas que desafiam seu governo. Sua família tem alegadamente " a riqueza do petróleo e diamantes para construir o controle total sobre todos os ramos do governo , os militares e os tribunais explorada", de acordo com a HRC.
Juntamente com Beyonce, quando Carey se sentiu envergonhada por cantar para a família de Kadafi ela divulgou um comunicado prometendo ser mais cuidadosa de futuro.
"Eu era ingénua e não estava avisada para quem cantaria” disse na altura. "Eu me sinto horrorizada e envergonhado por ter participado nesta confusão . Em última análise, como artistas devemos ser responsabilizados. Daqui para frente, esta é uma lição para todos os artistas para aprender. Nós precisamos ser mais conscientes e ter mais responsabilidade , sobretudo ter em conta para quem agendamos os nossos espetáculos . "
O porta-voz de Carey não respondeu aos repetidos pedidos de reacção.

14/12/13

Chivukuvuku em Qunu com Familiares de Madiba


Residência de Madiba, nas redondezas da qual serão sepultados os restos mortais.
O presidente da CASA-CE Abel Chivukuvuku estará presente em Qunu, para onde os restos mortais de Nelson Mandela foram já transportados e serão sepultados neste domingo.
O líder partidário angolano deixou sexta-feira Luanda com destino a Joanesburgo na companhia da esposa Vitória Chivukuvuku para juntar-se aos familiares de Madiba na restrita cerimónia, que contará com a presença de Jacob Zuma chefe de Estado e do seu Executivo, chefes de governo e demais dignitários.
Restos mortais transportados pela guarda de honra sul-africana.
Não sendo a CASA-CE um órgão do Estado e de soberania, estar presente na cerimónia oficial  realizada no passado dia 10 no FNB stadium, com os distintos dignitários mundiais não teria grande sentido, pelo que o nosso presidente decidiu escolher este momento restrito e marcar presença na terra natal do ícone mundial da reconciliação” disse uma fonte do gabinete de Abel Chivukuvuku, que falou na condição de anonimato.
Os restos mortais do ex-presidente sul-africano já se encontram em Qunu, e foram transportados a partir da base aérea de Waterkloof em Pretoria.
A noite deste sábado é de vigília no Moses Mabhida Stadium’s People Park.
Local onde o funeral vai ter lugar...
Depois do funeral deste domingo, será inaugurada na segunda-feira, a estátua do presidente Mandela no Union Buildings, acto que coincide com o dia nacional da reconciliação nacional.
Aos 95 anos de idade, Mandela morreu á 5 de Dezembro na sua residência em Johanesburgo, vítima de doença.
 Fonte: CASA-CE

13/12/13

Comunicado Final da III Reunião do Executivo da CASA-CE


III REUNIÃO ORDINÁRIA DO CONSELHO EXECUTIVO NACIONAL
COMUNICADO
A III Reunião Ordinária do Conselho Executivo Nacional, reunido entre os dias 11 e 12 de Dezembro de 2013 para
avaliar e fazer o balanço do "Estado da CASA-CE", a situação política, económica e social do país e as posições partidárias de instituições do Estado, tais como, o Ministério do Interior, o Comando Geral da Polícia Nacional, da Casa Militar da Presidência da República, dos Órgãos de Comunicação Social do Estado, bem como o posicionamento musculado do bureau político do MPLA, tendo produzido sobre esta matéria o seguinte:
1- A III Reunião Ordinária do Conselho Executivo Nacional da CASA - CE, prestou uma singela homenagem a Nelson Mandela, como personalidade africana e internacional, dos séculos XX e XXI, cujo contributo a democracia, Paz e reconciliação Nacional, são impares na história mundial;
2 - Os membros do CEN prestaram, também, uma profunda homenagem ao companheiro Manuel Hilbert de Carvalho Ganga, barbaramente assassinado, no dia 23 de Novembro de 2013, por efectivos da Unidade de Segurança Presidencial, afectos a Presidência da República, outorgando-lhe o título de Patrono da Juventude Patriótica de Angola, passando o dia da sua morte a ser a data comemorativa da JPA;  
3 - A III Reunião Ordinária do Conselho Executivo Nacional da CASA - CE considera inconstitucional e ilegal o posicionamento parcial e partidário do Ministério do Interior, do Comando Geral da Polícia Nacional e dos órgãos de imprensa públicos, que agem como comité de especialidade do MPLA, superiormente, capitaneados por um gabinete presidencial, coordenado pelo senhor Manuel Rabelais;
4 - A III Reunião Ordinária do Conselho Executivo Nacional fez um balanço sobre o "estado da CASA-CE", 19 meses após a sua constituição. O CEN exprimiu satisfação perante o estado positivo da CASA - CE e recomendou um melhor entrosamento e fluxo de informação, entre todas as estruturas da organização.
5 - A III Reunião Ordinária do Conselho Executivo Nacional da CASA - CE recorda ao Titular do Poder Executivo, que a constante violação a Constituição da República, aprovada por maioria do MPLA, que tem propiciado o renascimento perigoso de um verdadeiro Estado autoritário em Angola, que merece um veemente repúdio;
6 - A III Reunião Ordinária do Conselho Executivo Nacional da CASA - CE insta o Titular do Poder Executivo a despartidarizar com urgência os órgãos do Estado, nomeadamente a Polícia Nacional, as Forças Armadas e de Segurança de Estado, sob pena de ser definitivamente acusado de ser o principal factor de instabilidade e da consolidação da Reconciliação e Paz em Angola;
7 - A III Reunião Ordinária do Conselho Executivo Nacional da CASA - CE, condena a postura desonesta e ilegal do MPLA e seu governo, face ao adiamento propositado das eleições autárquicas, em clara contradição ao que se passa noutros países da CLP e PALOP's, nomeadamente Cabo Verde, onde felicitamos o MpD e Moçambique, onde também felicitamos o MDM;
8 - A III Reunião Ordinária do Conselho Executivo Nacional da CASA - CE, condena a existência de presos políticos em Cabinda e nas Lundas sem qualquer justificativa legal, em clara contravenção aos artigos 60.º, 63.º, 64.º, 66.º e 67.º, todos da Constituição da República de Angola;
9 - A III Reunião Ordinária do Conselho Executivo Nacional da CASA - CE, agradece a recepção calorosa, prestada pelo  Secretariado da Província do Bengo, pelas autoridades religiosas e governamentais de Caxito, durante a realização do acto. 
10 - A III Reunião Ordinária do Conselho Executivo Nacional da CASA - CE agradece a juventude angolana pelo seu apoio incondicional prestado durante as exéquias fúnebres do companheiro Manuel Hilbert de Carvalho Ganga e aproveita o ensejo para exortar o povo angolano a manter-se unido, destemido e vigoroso na democratização do país e consolidação da PAZ; 

11 - A III Reunião Ordinária do Conselho Executivo Nacional da CASA - CE, finalmente, condena todas as violações as
normas constitucionais de liberdade de expressão, associação, de pensamento e de Liberdade de Imprensa, considerando perigosa a actual política seguida pelo Titular do Poder Executivo, pois contraria ao espírito de democracia, reconciliação e Paz, tão ansiadas pelos angolanos.
Caxito, aos 12 de Dezembro de 2013
A III REUNIÃO ORDINÁRIA DO CONSELHO EXECUTIVO NACIONAL DA CASA-CE

Chivukuvuku Pelas Ruas de Caxito


Caxito, 12 Dezembro 13
Abel Chivukuvuku interpela vendedora de pão (estrada principal)
Abel Chivukuvuku surpreendeu os habitantes do Bengo quando fez-se nesta quinta-feira á rua e andou pelos  becos dos bairros de Caxito.
O sol punha-se no horizonte da terra dos jacarés, quando Chivukuvuku convidou a plateia que o acompanhasse para um passeio pela cidade.
O líder da mudança quis mergulhar no labirinto do final do dia dos residentes de Caxito.
Num dos momentos do percurso da caminhada, aqui com Francisco Viena, membro do Executivo da CASA-CE
Não deu tempo para  cobrir a totalidade da “vila” poeirenta, que dista algumas poucas dezenas de quilómetros da cidade capital da República de Angola, “vila” de  ruas de terra batida, situação que reflecte desmente a propaganda do país fantástico de desenvolvimento do país.
Na verdade Caxito, não passa do prolongamento do crescente poder feudal, com o  umbigo no palácio da cidade Alta.
De fornecimento de electricidade mais regular do que na cidade de  Luanda, como se gabaram alguns residentes  contactados pela nossa reportagem,  embora os trabalhos da reunião da CASA-CE tivessem sido agraciados com  inesperados apagões,  é a cozinha á carvão e á lenha presente nos passeios, assim como o comercio de rua sobre bancas improvisadas, que fazem a divisa real afrontando a propaganda do Executivo de Eduardo dos Santos.
Na província do Bengo, nem Catete (60 quilómetros nordeste) a terra natal de Agostinho Neto, a quem se atribui a paternidade da nação angolana, (como se ela existisse consolidada) por haver proclamado a independência, em meio do ribombar dos canhões da discórdia inter-movimentos de libertação, tira usufruto do capital político que devia ter, e nem a proximidade da capital de Angola é vantagem de viabilidade do investimento.
Chivukuvuku conversa com comerciante, nas imediações do mercado informal
Catete e Caxito espelham a imagem dum governo mergulhado na corrupção que não faz nas cercanias do palácio, mas mente nas imagens da TPA,  que  realiza nas  distancias perdidas do Kuando Kubango ou qualquer outra localidade de Angola.
Foi para perceber como anda a vida deste povo acolhedor que Abel Chivukuvuku andou pelas ruas de Caxito.

Pelas ruas de Caxito, capital da província do Bengo



Fonte: CASA-CE

É Patrono da Juventude



O Executivo Nacional da CASA-CE fixou o 23 de Novembro, dia da juventude patriótica da coligação JPA, como forma de honrar á memoria de Manuel Hilbert Carvalho Ganga, morto pela unidade de segurança do presidente da República, quando cumpria uma missão politica.
Com um acto formal de votação dirigido pelo líder da coligação, o patronado de Hilbert Ganga, reuniu a unanimidade, ao pa



sso que a definição da data, teve um voto contra e nenhuma abstenção.
Foi um momento especial  da sessão  de encerramento da III Reunião do Executivo, com Abel Chivukuvuku presidente da CASA-CE a ser convidado a deixar a  poltrona na mesa do presidium em direcção  ao palanque, para dirigir o acto de consagração da data e do patronado de Hilbert Ganga, como mártir da causa.
A reunião de Caxito que terminou nesta quinta-feira fez um balanço positivo do desempenho dos 19 meses de da CASA-CE, posição reflectida no comunicado final de onze pontos tornado publico.
A jornada politica terminou já ao pôr do sol com um passeio á pé dos participantes deste  reunião, por algumas artérias da cidade de Caxito. Foi um reviver das marchas do presidente Chivukuvuku, efectuadas no decurso da histórica campanha eleitoral da CASA-CE.
Entre cânticos de alegria e abraços efusivos de saudação dos transeuntes, também comerciantes, na ocasião com as suas lojas abertas, assim como os residentes, incrédulos pela presença do líder da mudança nas ruas e becos dos bairros peri-urbanos, a   caminhada viria a terminar no QuiJoão já era noite.
Durante dois dias, centenas de participantes a reunião estiveram em Caxito, entre membros e também convidados da organização, para proceder ao balanço e fixar a programação para 2014.
Fonte: CASA-CE

12/12/13

Bispo Recebe Chivukuvuku


Abel Chivukuvuku (dir.), Dom António Jaka ( cen.) e Alexandre Sebastião André (esq.)
O presidente da CASA-CE  Abel Chivukuvuku foi ontem recebido pelo bispo da diocese do Bengo, dom António Jaka, com quem conversou demoradamente.
O encontro teve lugar ao cair da tarde e decorreu á porta fechada na sede do episcopado do Bengo.
Tratou-se dum encontro de cortesia, segundo fonte afecta a presidência da coligação, onde predominou a abordagem em torno de temas de interesse político e social ligados ao país.
Há dois dias que Abel Chivukuvuku se encontra aqui no Caxito, onde a CASA-CE realiza a sua III Reunião do Conselho Executivo, para entre outros assuntos, proceder ao balanço das actividades da organização, assim como a formação de consensos em torno da  futura agenda da organização,  a implementar já a partir de Janeiro de 2014.
Vista parcial do edifício do episcopado da diocese do Bengo
Fundada em Abril de 2012, a CASA-CE é a segunda força politica da oposição com representação parlamentar.


Fonte: CASA-CE

11/12/13

CASA-CE: Que Postura Civilista ou Outra Deverá a CASA-CE Ad...

CASA-CE: Que Postura Civilista ou Outra Deverá a CASA-CE Ad...: PRESS RELEASE Caxito 11 Dezembro 13 Imagem central da reunião de Caxito. No distico a imagem de Hilberto Ganga, o P...

CASA-CE: Que Postura Civilista ou Outra Deverá a CASA-CE Ad...

CASA-CE: Que Postura Civilista ou Outra Deverá a CASA-CE Ad...: PRESS RELEASE Caxito 11 Dezembro 13 Imagem central da reunião de Caxito. No distico a imagem de Hilberto Ganga, o P...

Que Postura Civilista ou Outra Deverá a CASA-CE Adoptar?


PRESS RELEASE
Caxito 11 Dezembro 13
Imagem central da reunião de Caxito. No distico a imagem de Hilberto Ganga, o Patrono que a juventude quer ver consagrado
Os trabalhos da III Reunião  Ordinária (Alargada) do Conselho Executivo Nacional tiveram início na manhã desta quarta-feira na cidade de Caxito, capital da província do Bengo.
Presidiu a sessão de abertura Abel Chivukuvuku o líder da coligação que exortou os  companheiros para o papel de liderança que a CASA-CE precisa desempenhar, para as transformações de Angola.
“Que postura civilista ou outra postura...pacífica deverá a organização adoptar no próximo ano?” questionou Chivukuvuku no improviso dirigido aos presentes.
Durante dois dias, o encontro procederá também ao balanço sobre o desempenho da CASA-CE no decurso do ano que está prestes a terminar.
Mais de duas centenas de participantes estão a tomar parte dos trabalhos. Entre eles contam-se membros da organização e convidados.
“Reflectir para Decidir e Agir” é o  lema central.
A reunião avaliará no nível deliberativo, uma proposta da JPA - juventude patriótica de Angola de consagrar Manuel Hilbert de Carvalho Ganga, o Patrono da juventude da CASA-CE.
Hilbert Ganga, jovem engenheiro, foi assassinado pela guarda presidencial no passado dia 23 de Novembro após a sua detenção, quando colava panfletos de solidariedade com Alves Kamulingue e Isaías Cassule.
O acto bárbaro tem merecido a condenação do mundo.
Fonte: CASA-CE




09/12/13

Hilbert Ganga Pode Ser Consagrado Patrono


                  


                                              (Sob o lema: Reflectir para Decidir e Agir)
                                                     CAXITO, 11-12 DE DEZEMBRO  
                
                                   NOTA INFORMATIVA
A Subcomissão de Propaganda e Informação1, comunica a opinião pública nacional e internacional que a CASA-CE, convergência ampla de salvação de Angola, realizará nos dias 11 e 12 do corrente mês, a reunião do  Executivo Nacional, a ter lugar na cidade de Caxito, capital da província do Bengo.
Uma reunião de quadros antecederá o evento, dedicada a análise do estado político da organização, assim como a postura que a CASA-CE deverá adoptar em 2014  perante os desafios que se afiguram.
Tomarão parte da reunião de quadros as seguintes individualidades:
1.   Os Secretários Provinciais;
2.   Os membros do Conselho Deliberativo Nacional, residentes em Luanda;
3.   10 convidados a indicar.

No dia 12, terá lugar propriamente a  reunião do Conselho Executivo, na qual deverão participar apenas os seus membros do órgão, em número de 60-70.
O Conselho Executivo, passará em revista os  acontecimentos do dia 23 de Novembro, assim como avaliará a proposta da JPA, juventude patriótica de Angola, de institucionalizar Hilbert Ganga, como seu patrono.
                        Uma comissão de organização prepara o evento.
                                   Luanda, aos 7 de Dezembro 2013

                                     Pela Comissão Organizadora







1 Em caso de qualquer informação adicional não hesite em contactar-nos através dos seguintes telefones: 917 960 532/ 923 302 611

06/12/13

O Icone da Tolerância Partiu


RIO - O maior símbolo da luta contra o apartheid na África do Sul e Prémio Nobel da Paz por seus esforços contra o racismo morreu nesta quinta-feira em sua casa em Johannesburgo. Nelson Mandela tinha 95 anos, sofria de uma grave infecção respiratória e estava sendo mantido sob cuidados chucocvionnmédicos.

Ele esteve hospitalizado de 8 de junho a 1º de setembro com um quadro de infecção pulmonar e outras complicações. Dois dias antes, a filha mais velha, Makaziwe, afirmou que o ex-presidente da África do Sul permanecia “muito forte e valente”, mesmo estando em seu leito de morte.

O país se prepara agora para um funeral com honras de Estado, com bandeiras em toda a África do Sul a meio mastro. Diante da casa onde Madiba passou os últimos dias, pessoas chegavam para acender velas, se juntando a uma multidão de jornalistas. Em Soweto, alguns dançavam, outros choravam em memória a Mandela. Nos próximos três ou quatro dias, o corpo do ex-presidente da África do Sul será levado a um hospital militar e embalsamado, de acordo com fontes do governo.

Depois disso, uma cerimônia será realizada no estádio de futebol de Johannesburgo, onde a final da última Copa do Mundo foi disputada, em 2010. A despedida será aberta a chefes de Estado e depois ao público. Seguindo seu desejo, seu corpo será sepultado no vilarejo de Qunu, onde cresceu - mas só depois de um funeral que deve se estender por mais de dez dias.

- Nosso amado Nelson Rolihlahla Mandela, o presidente fundador da nossa nação democrática, partiu. Ele morreu tranquilamente, na companhia de sua família, em torno de 20h50m do dia 5 de dezembro de 2013. Ele agora está descansando. Ele agora está em paz - disse o presidente da África do Sul, Jacob Zuma, em um pronunciamento televisionado nesta quinta-feira. - Nossa nação perdeu seu maior filho. Nosso povo perdeu um pai. Embora soubéssemos que esse dia chegaria, nada pode diminuir nossa sensação de uma perda profunda e duradoura. 

Fonte: O Globo

04/12/13

Kopelipa Surdo e Mudo


Abel Chivukuvuku tem ao lado Joaquim Kamuquim, pai do malogrado
Dez dias depois do assassinato de Manuel Ganga, continua em silêncio a Casa de Segurança da Presidência da República, que não respondeu até ao momento a carta que lhe foi  endereçada.
No mês passado,  e na sequência dos acontecimentos que vitimaram  o Eng. Ganga, Abel Chivukuvuku presidente da  coligação dirigiu uma carta ao ministro de Estado Kopelipa, na qual pedia explicações sobre o sucedido, sem que tenha merecido resposta até ao presente momento.
Face a este infausto acontecimento que provocou a morte gratuita do nosso militante, pela magnitude e gravidade do assunto que, por sinal já é do domínio público nacional e internacional, solicito a Vossa Excelência se digne prestar os devidos esclarecimentos a CASA-CE, a família e a opinião pública e sejam responsabilizados todos os culpados” lê-se na carta do dia 25, a que este portal teve acesso.
Manuel Hilbert de Carvalho Ganga, foi morto com dois tiros pela USP-unidade de segurança presidencial, após detençao nas imediações do estádio dos Coqueiros, onde afixava cartazes com as imagens de dois activistas, desaparecidos há quase dois anos.
Alves Camulingue e Isaías Cassule foram recentemente dados como mortos pela PGR-procuradoria geral da República, que investiga o caso.
Cemitério da Sta Ana, Rafael Aguiar (responsável da JPA) no momento da leitura do elogio fúnebre

Já não é Presidente José Eduardo dos Santos


O Sindika e a Dentadura do Presidente
Por Rafael Marques de Morais - 04 de Dezembro, 2013
http://makaangola.org/wp-content/uploads/2013/12/DosSantos_Familia.jpg
O marido de Isabel dos Santos e genro do presidente da República, Sindika Dokolo, prestou ontem, à imprensa portuguesa e a partir de São-Tomé, esclarecimentos sobre o estado de saúde do seu sogro, José Eduardo dos Santos.

Sindika Dokolo revelou informações que tanto os Serviços de Apoio ao Presidente da República como o Bureau Político do MPLA têm sido incapazes de partilhar com o povo. Explicou as razões da estadia do Chefe de Estado em Espanha, há quase um mês.

Segundo Sindika Dokolo, o presidente aproveitou apenas as suas férias para uma consulta de rotina ao seu dentista, em Barcelona.

Desmentiu, assim, os rumores sobre a alegada batalha do presidente contra um cancro na próstata, como causa da sua ausência do país. “Se calhar daí é que surgiu esse rumor, que não tem fundamento nenhum”, disse o genro, sobre a visita ao dentista.

O cidadão dinamarquês, de origem congolesa, foi mais longe e explicou também as razões que levaram o chefe de Estado a evitar, pela primeira vez nos seus 34 anos de poder, a celebração do Dia da Independência, 11 de Novembro, em Angola. “O senhor presidente da República aproveitou o facto de ter fechado o dossier do Orçamento Geral do Estado (OGE) para 2014, que foi um grande trabalho, para aproveitar alguns dias de férias na Europa”, disse.

Há um dado que o porta-voz da família Dos Santos não esclareceu. Entre Junho e Julho, o presidente esteve em Espanha por um período de férias de quase dois meses. Por interpretação extensiva, o presidente é um funcionário público com direito a 30 dias de férias por ano. Tendo já ultrapassado o seu período de férias em quase um mês, sem justificação de faltas, como pode o presidente ter faltado ao serviço por quase mais um mês e, mais uma vez, sem justificar as faltas?

Outro dado importante é a revelação segundo a qual a preparação do OGE deu muito trabalho a José Eduardo dos Santos? E os OGE’s passados?

Porquê o OGE de 2014 haveria de dar tanto trabalho ao chefe? Não há discussão aprofundada na sua elaboração. É um processo proforma. No MPLA vigora o unanimismo político e ninguém contesta os números apresentados. A oposição resmunga de modo fugaz e, mesmo assim, sofre ameaças pela mais pequena discordância que manifesta contra José Eduardo dos Santos.

Há mais um terceiro dado relevante. Sindika também referiu, por escrito e ao Jornal de Negócios, que o modelo de desenvolvimento de Angola “daqui a 20 anos, será celebrado de forma unânime”.

Em 11 anos de paz, o regime do seu sogro ainda não conseguiu formar um dentista capaz de fazer revisão à boca do presidente em Luanda? Tem de ir a Espanha para ver os seus dentes? É esse o modelo que aplaudiremos “daqui a 20 anos”?

Nos Camarões, o presidente Paul Biya, era useiro e vezeiro em ausentar-se do país, sem qualquer justificação, para se instalar num hotel luxuoso na Suíça por meses de cada vez. Um membro da oposição interpretou a Constituição e invocou argumentos legais para a destituição do presidente por abandono de lugar. Paul Biya regressou imediatamente ao país para evitar que o caso se tornasse sério.

Em Angola, José Eduardo dos Santos não tem com que se preocupar. O país é a sua residência e a sua família é o seu governo. Por isso, Sindika hoje pode dizer se o presidente tem dores de dentes ou não, enquanto o porta-voz do chefe de Estado mantém-se em silêncio. O Bureau Político do MPLA serve apenas para emitir comunicados belicistas contra a oposição, mas não tem voz para se pronunciar sobre a ausência do presidente do país por um trimestre. A Televisão Pública de Angola (TPA), o Jornal de Angola e a Rádio Nacional de Angola (RNA) servem apenas como veículos de propaganda. Não merecem sequer um exclusivo de Sindika, a explicar sobre a dor de dentes do presidente, para o povo angolano ouvir directamente dos seus órgãos de comunicação social e não a partir de Portugal.

Em tudo o resto, só temos de agradecer a Sindika Dokolo por ter facilitado o trabalho de identificação do que realmente se está a passar com o presidente.

José Eduardo dos Santos encontra-se em situação de abandono de lugar. Manifestou todo o seu desrespeito para com a soberania nacional, ao ter preferido ir visitar o seu dentista, em Barcelona, no dia da Independência, a 11 de Novembro.

É terrível quando a guarda presidencial mata um político indefeso, o Manuel de Carvalho Hilberto Ganga, e o presidente nem sequer apresenta condolências à família enlutada porque está a gozar o terceiro mês de férias anuais.

Arrepia a tranquilidade do presidente, quando a sua polícia castiga o secretário da UNITA em Cafunfo, Lourenço Fernando, com palmatórias na mão, e lhe racha a cabeça com uma paulada, como aconteceu a 23 de Novembro. Aquele dirigente da oposição tentou organizar uma manifestação em memória de Cassule e Kamulingue.

Corta a respiração ver como a oposição e as liberdades constitucionais são intoxicadas com gás lacrimogéneo pela polícia especial do presidente José Eduardo dos Santos, e este manifesta-se ausente, em gozo de férias a que já não tem direito.

Para mim, este senhor já não é presidente. Abandonou o lugar. Foi ao dentista e perdeu o lugar.