10/09/12

PARABÉNS COMPATRIOTA JOSÉ EDUARDO DOS SANTOS



PERDER SERIA IMPOSSÍVEL

VENCER NESTE QUADRO

É SEMPRE POSSÍVEL…


Aqui e agora, enquanto cidadão comprometido com a democracia, a paz, a conciliação e uma verdadeira reconciliação nacional, venho dizer-lhe que, apesar da forma como todo o processo eleitoral atípico decorreu, o meu posicionamento pessoal reverte em favor do reconhecimento por ter sido alcandorado ao primeiro lugar.

Parabéns por esta vitória mas, principalmente, por ter completado 70 anos de idade, no dia 28.08.12, em pleno calor da campanha eleitoral.

Espero que continue a ter forças e lucidez, para ser, a partir de agora, percursor das mudanças de que o país tanto carece.

Gostaria de o ter como um verdadeiro parceiro, comprometido com verdadeiras reformas democráticas institucionais. Um parceiro que não tivesse medo da democracia e conseguisse ter o condão do perdão e da não perseguição de quem pensa diferente.

Seria bom que, por sua iniciativa, se pudesse liderar a despartidarização das Forças Armadas e da Polícia Nacional. E, vai de si, se a justiça for independente verdadeiramente independente dos poderes partidários e presidenciais, isso seria um verdadeiro e grande ganho.

Entretanto, estamos em crer que a fasquia proposta pelo MPLA como alvo de governação nos próximos cinco anos foi muito elevada, e, como cabe ao Presidente assumir todos os riscos, somos a dizer que chegou o tempo de o mais alto dignatário da Nação poder provar que está à altura dos desafios e será capaz de desprender-se do cobertor do MPLA para se colocar, pela primeira vez depois de 33 anos de poder, como Presidente de todos os angolanos, nas vestes de um homem político empenhado na transparência, no combate a corrupção, no fim do enriquecimento ilícito de alguns que lhe são próximos, na melhor distribuição da riqueza nacional e numa verdadeira abertura da comunicação social e não continuando a ser ela uma célula partidocrata.

Neste momento, Senhor Presidente, na longevidade biológica e política a que chegou, rodeado de acções de favorecimento- não veja nas minhas palavras laivos de cinismo, mas sim de realismo-, em boa hora poderá se desprender duma rotina já longeva e, ao mesmo tempo evitar o cerco daqueles que, por interesse, se aproximam de si, e iniciar um novo rumo, visando uma retirada condigna capaz de ainda poder ficar na história de todos angolanos como alguém que, no final, tentou e implantou algo que transpôs as suas amarras ideológicas.

Se for capaz deste desiderato, Senhor Presidente, acredito que Angola não entrará em convulsões sociais face às desigualdades de toda ordem existentes no país, em que uns poucos têm os milhões de dólares, dos milhões que têm pouco menos de um dólar/dia para sobreviver .

É preciso ler para lá dos tempos e a sua visão ao rasgar o horizonte, já não tem muito tempo. Há exemplos edificantes a esse propósito.

Salazar não leu os sinais da História e dos seus ventos irreversíveis e, 500 anos depois de terem sido invadidos por negreiros esclavagistas e quando esperava que tudo estava bom, os angolanos mostraram-lhe que a sua nau “catarineta” estava com muitos rombos e mesmo internamente muito podre.

Humberto Delgado provou, embora tivesse pago isso com a vida, que com um político como Salazar este nunca poderia organizar eleições livres, justas e transparentes... Salazar não quis mudar de atitude e a história acabou por lhe passar um cartão vermelho de desvalorização fundamental. Ditador, eis o seu epíteto final.

A contrario, Jesus Cristo, ao fim de 33 anos de idade, pensando na maioria dos seus compatriotas e não só, escolheu a nobreza, numa atitude sem paralelo, sacrificando a sua vida em nome de todos nós. Com o seu gesto, mudou o mundo para todo o sempre e há mais de dois mil anos é a personalidade mais referenciada e falada ao longo de todos os séculos. É o único produto que não expira. E não é difícil descobrir no seu provir algumas das suas facetas!

Mahatma Gandi, Martin Luther King e Nelson Mandela mostraram ser possível lutar pela Liberdade, democracia, paz e reconciliação nacional, sem violências e jamais deixarão de ser uma referência positiva para todos os homens e mulheres no mundo, qualquer que seja a sua barricada ideológica.

Assim, apelando à sua clara visão do que está a mudar em Angola, Senhor Presidente, como angolanos, ansiamos, e eu anseio, que, ao transpor a idade de 70 anos, deixe um legado a todos os angolanos e não só aos do MPLA.

É que eu sou um daqueles cépticos que ainda acredita ser possível aproximar umas das outras pessoas que não o bajulem, para o Presidente de todos nós ser capaz de equilibrar o seu consulado e imagem de líder, impor-se pelas suas acções e não pela força dos falsos apoios, das armas e do poder absoluto.

Ser um homem verdadeiramente temente a Deus, como foi Julius Nyerere, ex-presidente da Tanzânia, conferir-lhe-á uma grande protecção.

Eu sei que, depois de tantos anos de poder absoluto, ao longo dos quais dormiu e acordou com um batalhão de bajuladores que lhe diziam e ainda dizem apenas o que gosta de ouvir, seja difícil voltar a ser um cidadão normal, tomar decisões normais, mas acredite, é possível, e essa é e será sempre a melhor couraça de um político avisado e coerente.

Não apoie uma perseguição desenfreada aos seus adversários. Não apoie mais julgamentos encomendados, nem assassinatos selectivos de adversários, pois a sua imagem, quando isso acontece, é a que mais sai beliscada.

Tente, Senhor Presidente, agora que tem consolidado como nunca o seu poder, mostre-o aos angolanos e seja percursor de verdadeiras transformações e mudanças, pela positiva, em nome do seu futuro e do de Angola.

Tudo porque quem prefere ser arruinado pelos elogios, jamais será salvo pela crítica.

Acredite em mim. Estamos juntos por Angola.

WILLIAM TONET 
O Chefe Indígena

William Tonet

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